domingo, 30 de março de 2014

Três poemas de Octavio Paz



IRMANDADE

Homenagem a Claudio Ptolomeo
Sou homem: duro pouco
E é enorme a noite.
Mas olho para cima:
As estrelas escrevem.
Sem entender, compreendo:
Também fui escrito
E neste mesmo instante
Alguém me soletra.


EPITÁFIO PARA UM POETA

Quis cantar, cantar
para esquecer
sua vida verdadeira de mentiras
e recordar
sua mentirosa vida de verdades.


COLINA DOS ASTROS

Aqui os antigos bebiam o fogo
Aqui o fogo inventava o mundo
Ao meio dia
As pedras abrem-se como frutos
A água abre as pestanas
E a luz desliza pela pele do dia
Gota imensa onde o tempo se espelha
E sacia