sexta-feira, 22 de abril de 2016

Quatro poemas inéditos de Orides Fontela



O AGUADEIRO

Derramar um
cântaro

um canto
deixar fluir
o novíssimo
encanto.


CORES

Equilibrar-se em
vermelho.

Evitar o rosa.

Despetalar o amarelo.

Transcender-se em
violeta.

Colher algum azul
se possível.


TEOLOGIA II

Deus existir
ou não: o mesmo
escândalo.


LÁPIDE

Resta uma
sombra
soçobro

a memória sem
porque

resta um
ovo
oco
talvez lenda

pobre nome
vazio.