sexta-feira, 17 de março de 2017

Três poemas de Theodore Roethke



A DECISÃO

I
O que faz mover o olho se não o invisível?
Fugir de Deus é a estrada mais longa.
Quando jovem era perseguido por um pássaro –
O galispo recuava lento com seu canto
Não conseguia arrancar da mente aquele som,
O sonolento rumor de folhas num rápido vento.

II
Levantar ou cair, a disciplina é só uma!
A linha do horizonte se aguça!
Qual é o caminho?, grito ao pavoroso escuro,
As brasas às minhas costas, a instável sombra.
Qual é o caminho?, pergunto, e me disponho a andar
Como um homem que enfrenta a chegada da neve.


O HIPOPÓTAMO

A Cabeça ou o Rabo – o que falta neles?
Creio que é sua Dianteira o que volta!
Vivem com Cenouras, Alho-poró e Feno;
Bocejam – e levam o Dia Inteiro –

Muitas vezes penso que viverei assim.


O DIAMANTE

O pensamento não pode triturar-se
A grande forja bate em vão.
A verdade não se quebra nunca;
Sua armação permanece.

Os dentes de entrelaçadas engrenagens
Giram lentamente na noite,
Mas a verdadeira substância resiste
Ao peso do martelo.

A pressão não pode romper
Um centro tão petrificado;
A ferramenta não arranca nem uma lasca de madeira,
O núcleo acaba firme.

* Tradução de Pedro Fernandes de O. Neto